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05 fevereiro 2026

Sequestro Reverso de Domínio: quando a lei é usada para tomar o que não é seu

Pouca gente fora do mercado de domínios conhece esse termo, mas ele é mais comum do que parece. Sequestro reverso de domínio acontece quando alguém tenta tomar um domínio legítimo usando pressão jurídica, e não invasão técnica. Em vez de hackear, a estratégia é alegar violação de marca, mesmo quando o domínio foi registrado antes da marca existir ou quando o nome é genérico, descritivo ou de uso comum. O objetivo é forçar a transferência pelo cansaço, pelo medo ou pelo custo de defesa.

O mecanismo mais usado nesses casos é o UDRP, criado para combater cybersquatting (o registro de domínios com nomes de marcas ou pessoas famosas, feito de má-fé, com o objetivo de lucrar, confundir usuários ou forçar uma venda ao verdadeiro titular).

O problema começa quando esse instrumento é usado ao contrário, por empresas ou indivíduos que sabem que não têm direito, mas apostam na assimetria de poder. Um domínio antigo, registrado de boa-fé, sem intenção de confundir consumidores ou se aproveitar de marca alheia, não deveria ser alvo de disputa. Ainda assim, muitos são. E nem sempre o alvo perde o domínio, mas quase sempre perde tempo, tranquilidade e dinheiro.

Quando um painel reconhece o sequestro reverso, isso significa que a tentativa foi feita de má-fé. É uma marca negativa para quem acusa, mas essa constatação ainda é rara, o que incentiva novas tentativas abusivas. Conhecer esse conceito é uma forma de proteção. Domínio não é apenas endereço na internet. É ativo, identidade e, muitas vezes, patrimônio construído com visão de longo prazo.

04 fevereiro 2026

Domain Aftermarket: o que é o mercado secundário de domínios e por que ele importa

Quando alguém registra um domínio pela primeira vez, está atuando no mercado primário. Já o mercado secundário de domínios, também chamado de domain aftermarket, é onde entram os domínios que já foram registrados antes e agora estão sendo revendidos, negociados ou transferidos entre partes.

Esse mercado funciona de forma muito parecida com o de imóveis. Nem todo bom terreno está disponível diretamente com a “prefeitura”. Muitos dos melhores endereços já têm dono. Se você quer aquele ponto específico, precisa negociar com quem já possui.

No universo digital, acontece o mesmo. Domínios curtos, claros, semanticamente fortes e fáceis de lembrar tendem a ser registrados cedo. Com o tempo, eles se tornam escassos. O aftermarket existe justamente para permitir que esses ativos circulem, encontrem novos projetos e ganhem valor econômico. Por que isso importa? Porque o domínio não é apenas um endereço técnico. Ele influencia confiança, percepção de marca, memorização, cliques e até conversão. Um bom domínio reduz atrito. Ele explica o projeto antes mesmo do conteúdo. Em muitos casos, vale mais do que campanhas inteiras de marketing.

Empresas, startups, criadores e investidores recorrem ao mercado secundário quando querem posicionamento imediato. Em vez de adaptar o projeto a um nome disponível, escolhem o nome certo e constroem a partir dele. Além disso, o aftermarket ajuda a precificar a escassez. Quando domínios são negociados abertamente, cria-se referência de valor. Isso profissionaliza o setor, afasta improviso e mostra que domínios são ativos digitais reais, não apenas detalhes técnicos.

Em um mundo cada vez mais competitivo pela atenção, o endereço certo faz diferença. O mercado secundário existe porque bons nomes não desaparecem. Eles mudam de mãos. E quem entende isso joga o jogo com vantagem desde o início.

03 fevereiro 2026

SACI: o guardião invisível dos domínios no Brasil

Quem lida com domínios no Brasil, mais cedo ou mais tarde, esbarra em um termo curioso: SACI. Para quem vê de fora, o nome soa quase folclórico. E não por acaso. Mas, no contexto da internet brasileira, SACI é algo bem concreto e essencial.

SACI é a sigla para Sistema de Administração do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Em termos simples, é o sistema usado pelo Registro.br para gerenciar tudo o que envolve domínios sob o .br: registros, renovações, transferências, contatos, servidores DNS e histórico técnico.

Se o domínio é o imóvel digital, o SACI é o cartório.

É por meio dele que o Registro.br aplica as regras definidas pelo CGI.br, garante unicidade dos nomes, resolve disputas administrativas e mantém a base de dados que sustenta a confiança no .br. Nada acontece fora do SACI. Nenhum domínio nasce, muda ou morre sem passar por ele.

O nome chama atenção porque dialoga com o imaginário brasileiro. Assim como o personagem do folclore, o SACI está sempre presente, mas quase nunca é visto. Ele age nos bastidores, garantindo que tudo funcione, enquanto o usuário final só vê o resultado: o site no ar, o e-mail funcionando, o endereço resolvendo corretamente.

Tecnicamente, o SACI concentra funções críticas. É ali que se definem os responsáveis legais por um domínio, os contatos administrativos, técnicos e financeiros. É ali que se configuram servidores DNS, se acompanham prazos de expiração e se resolvem inconsistências. Também é ali que ficam registradas as trilhas de responsabilidade, algo fundamental em casos de conflito, fraude ou uso indevido.

Para quem investe em domínios, o SACI tem um peso ainda maior. Ele é a prova de posse. Diferente de plataformas privadas, onde a relação é mediada por contratos comerciais complexos, o Registro.br opera com regras claras, públicas e relativamente estáveis. O que está no SACI tem valor jurídico e técnico. Outro ponto importante é que o SACI reforça uma característica singular do .br: a ideia de internet como infraestrutura pública, não apenas como mercado. O sistema existe para organizar, proteger e dar previsibilidade ao ecossistema digital brasileiro, não para especular ou inflar artificialmente ativos.

Por isso, entender o SACI é entender como o Brasil decidiu estruturar sua presença na internet. Com governança local, regras transparentes e um sistema que prioriza estabilidade e responsabilidade. No fim, o SACI não aparece no navegador, não vira marca e não gera tráfego. Mas sem ele, nada disso existiria de forma confiável. Como no folclore, ele pode até parecer invisível. Mas é ele que garante que o chão não desapareça sob os pés.

02 fevereiro 2026

Punycode: o nome que você vê e o nome que a internet entende

Quando alguém digita peruíbe.online, a experiência é simples, natural e correta em português. O nome está escrito como deve ser, com acento, respeitando a cidade, a língua e a identidade local. Mas por trás dessa simplicidade existe um detalhe técnico que quase ninguém percebe.

A infraestrutura da internet não foi criada para lidar com acentos e caracteres especiais. O sistema de domínios, o DNS, trabalha apenas com letras básicas, números e hífen. Para que nomes como peruíbe.online funcionem, foi criado um mecanismo de tradução.

Esse tipo de domínio é chamado de IDN (Internationalized Domain Name). Ele permite que palavras com acentos existam na web. Só que, nos bastidores, o IDN é convertido para um formato técnico chamado Punycode.

Por isso, tecnicamente, peruíbe.online é representado como xn--perube-6va.online

Esse endereço “estranho” não é um problema, nem algo visível para o usuário comum. Ele existe apenas para que servidores e navegadores consigam entender e processar o domínio corretamente. Para as pessoas, o nome continua sendo peruíbe.online.

Isso não atrapalha o SEO porque os principais mecanismos de busca, como o Google, entendem perfeitamente domínios internacionalizados. Eles indexam, rastreiam e classificam o site com base no nome com acento, não na forma em Punycode. Para o SEO, peruíbe.online é tratado como qualquer outro domínio.

O que realmente influencia o SEO não é o acento no domínio, mas fatores como: conteúdo relevante, estrutura do site, experiência do usuário, autoridade, links, consistência do nome.

Na prática, um domínio com acento pode até ajudar no reconhecimento local e na memorização, especialmente quando o nome é uma cidade, um sobrenome ou uma palavra do idioma.

Existem apenas alguns cuidados técnicos simples: garantir que o site responda corretamente ao domínio com acento, definir redirecionamentos claros (com ou sem www), usar sempre a mesma versão do domínio nos links internos e externos. Fora isso, não há penalidade, desvantagem ou perda de força em buscadores. O Punycode é só a linguagem da máquina. O nome com acento é a linguagem das pessoas. E, no fim, SEO continua sendo sobre pessoas encontrando algo que faz sentido para elas e não sobre como o endereço é escrito por trás das cortinas.


25 janeiro 2026

GoDaddy muda a monetização de domínios e encerra o ciclo do AdSense para Domínios

A GoDaddy anunciou em 22 de janeiro de 2026 uma mudança importante na forma como monetiza domínios estacionados. O programa afetado é o CashParking, que deixa de utilizar o Google AdSense para Domínios e passa a operar com Google Related Search for Content (RSOC) e anúncios do Yahoo.

Essa transição acontece porque o próprio Google decidiu encerrar o feed do AdSense voltado especificamente para domínios. Com isso, a GoDaddy precisou reestruturar seu modelo de monetização para manter a exibição de anúncios e a geração de receita para seus clientes.

Na prática, as páginas do tipo “Em breve” passam a ser redirecionadas para o RSOC, que se torna o principal canal de monetização. O tráfego será roteado dinamicamente entre o RSOC e o Yahoo, de acordo com a previsão de desempenho, buscando maximizar os resultados financeiros.

Para os clientes que desejarem, os anúncios Pay-Per-Click do Yahoo continuam disponíveis, mas apenas mediante solicitação direta ao suporte da GoDaddy. Já os banners de “À venda” não sofrem alterações e seguem operando normalmente, com pagamentos realizados conforme o cronograma habitual.

A mudança marca o fim de uma era para quem utilizava o AdSense para Domínios e sinaliza uma nova fase na monetização de domínios estacionados dentro do ecossistema da GoDaddy.