Quando o Registro.br estruturou o domínio brasileiro em segundo nível — criando extensões como .com.br, .org.br, .net.br e .gov.br, entre outras, não foi apenas uma decisão técnica. Foi uma decisão estratégica sobre como organizar a identidade digital do país.
Em vez de liberar diretamente “palavra.br”, optou-se por um modelo categorizado. À primeira vista, pode parecer menos elegante do que um .br puro. Mas essa escolha trouxe vantagens importantes.
A primeira foi organização. Nos anos 90, a internet ainda era vista como um território que precisava de ordem. Separar empresas, organizações, governo e educação ajudava a criar clareza institucional e evitar confusão.
A segunda vantagem foi previsibilidade. Um endereço .gov.br, por exemplo, comunica imediatamente autoridade pública. Um .edu.br indica instituição de ensino reconhecida. Essa estrutura fortalece confiança e reduz ambiguidades.
A terceira foi proteção estratégica. Ao manter categorias distintas, tornou-se mais fácil reservar e proteger termos sensíveis, nomes oficiais e estruturas críticas do Estado.
A quarta vantagem foi contenção de conflitos iniciais. Em vez de uma corrida caótica por nomes curtos sob .br, o sistema distribuiu a demanda entre diferentes categorias, diluindo disputas e organizando o crescimento.
Além disso, o modelo brasileiro ficou mais próximo do adotado pelo United Kingdom, que também utiliza segundo nível estruturado (.co.uk, .org.uk), diferenciando-se do modelo mais aberto dos United States, onde o .com se tornou praticamente universal. Pode-se argumentar que um .br direto teria mais força estética e valor simbólico. Mas a arquitetura escolhida privilegiou governança, estabilidade e segurança institucional. O segundo nível não foi limitação. Foi uma estratégia de construção. Uma decisão que priorizou ordem antes de velocidade — e que moldou a forma como o Brasil existe na internet até hoje.
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